Curso livre de interpretação de texto

Esse curso terá 4 módulos   O 1ª aula será sobre a morfologia,  o 2ª sobre a sintaxe, o 3ª sobre a semântica e o 4º sobre os gêneros literários     

1º módulo:  A morfologia             

1ª aula:  A morfologia:  Seus elementos

Nessa primeira aula vamos tratar dos elementos da morfologia.

Para interpretar um texto é necessário saber se uma palavra significa um nome,  uma qualidade de uma pessoa ou de um ser,  uma ação,  o modo como a ação foi realizada ou sofrida,  se traz alguma informação sobre quem realizou ou sofreu a ação,  se liga uma palavra a outra,  se gera uma definição ou uma indefinição,  se significa alguém ou algo sem dizer o nome,  se significa a posse de algo,  se existe para apontar ou indicar o que está próximo ou o que está distante,  se existe para indicar receptividade, se significa um número,  se significa o mesmo que outra palavra e se a palavra é a mesma mas o significado é diferente   

Essas são funções morfológicas e para cada função há um nome.

Chamam-se substantivos as palavras que significam nomes.  Alguns são próprios e outros comuns.  Exemplo:  Peri (próprio),  homem (comum),  Ceci (próprio),  mulher (comum).    

Chamam-se adjetivos as palavras que significam qualidades.  Exemplo:  bom, mau,  inteligente, néscio, sábio, estulto,  belo,  feio

Chamam-se verbos as palavras que significam ações realizadas ou sofridas.  Estudaremos esse elemento da morfologia nas próximas aulas.       

Chamam-se advérbios ou complementos verbais as palavras ou sequências de palavras que significam o modo como uma ação foi realizada ou sofrida. Por exemplo:  Um homem caminhava com pressa.  Marcos chegou em sua casa à noite.  Diogo visitava sua namorada de dia.  O ser humano foi criado por Deus

Chamam-se complementos nominais ou adjuntos adnominais as palavras ou sequências de palavras que têm a função de trazer alguma informação sobre quem fez ou sofreu uma ação.  Exemplos:  Os filhos de Deus são todos irmãos.  A namorada de Marcos é professora de matemática

Chama-se conjunção a função que palavras têm de ligar outras palavras.  Exemplos: e, de, da, do,  das,  dos,  para,  que,  mas,  porque,  porquê,  por que,  por quê,  também,  todavia,  não obstante,  apesar. 

Chamam-se artigos as palavras que têm a função de gerar uma definição ou uma indefinição. Exemplos: o, a (artigos definidos),  um, uma (artigos indefinidos)

Chamam-se pronomes próprios as palavras que significam alguém ou algo sem dizer o nome. Esses pronomes são:  Eu, tu,  ele,  nós,  vós, eles.    

Chamam-se pronomes possessivos as palavras que significam que algo é de alguém.  Esses pronomes são:  meu,  teu,  tua,  dele, dela,  nosso, vosso,  deles, delas  

Chamam-se pronomes demonstrativos as palavras que apontam ou indicam algo que algo está próximo ou distante.  Esses pronomes são:  este, esta,  esse, essa,  aquela, aquele,  aquilo,  desse, dessa,  deste, desta,  disso,  disto,  daquilo

Chamam-se pessoais os pronomes que indicam receptividade.  E eles podem ser apresentados de duas maneiras que são chamados de dois casos,  o caso reto e o caso oblíquo.  Quando um autor usa um pronome pessoal no caso reto ele diz,  por exemplo,  “Eu compus essa música para ti”. Mas quando usa um pronome pessoal no caso oblíquo o que é dito é “Eu te fiz essa música”.   Esses 2 casos do pronome pessoal são 2 possibilidades da linguagem em língua portuguesa que você precisa conhecer para interpretar bem. 

Chamam-se numerais as palavras que significam números.   Primeiro (1º), segundo (2º),  terceiro (3º),  quarto (4º)....., são números ordinais porque significam e tem o sentido de hierarquia. 1, 2, 3, 4.... são números cardinais.        

Chamam-se homônimas as palavras iguais que significam coisas diferentes.  Por exemplo,  banco (que pode ser o objeto para sentar ou a instituição financeira),  manga (que pode ser a fruta ou a manga da roupa),  perna (que pode ser o membro do corpo ou a parte de um móvel),  braço (que pode ser o membro do corpo ou a parte de um instrumento musical) ,  nomes próprios iguais.   

 Chamam-se sinônimas as palavras diferentes que significam o mesmo. Por exemplo,  carta e epístola,  feliz e beato,  poderoso e potente,  palavras de idiomas diferentes com o mesmo significado,  palavras usadas em regiões diferentes do mesmo país que têm o mesmo significado (macaxeira e aipim,  tangerina e bergamota,  biscoito e bolacha). 

Exercício proposto para os alunos do curso:

Faça uma lista de palavras para cada uma dessas funções.  Envie sua lista para o e-mail bobhaeberlin@gmail.com  

2ª aula: O Verbo:  seus tempos,  modos e números.

Em um texto os verbos são usados para expressar ações (verbos no indicativo. Por exemplo, interpreta), desejos (verbos no subjuntivo. Por exemplo: que interprete),  ordens ou exortações (verbos no imperativo.  Exemplo: Interprete),  opiniões (verbos no gerundivo. Exemplo:  Deve interpretar),  para dizer que uma ação está sendo praticada (verbos no gerúndio.  Exemplo:  interpretando),  para indicar alguém como quem faz ou sofre uma ação (verbos no particípio.  Exemplo:  o que interpreta) e para dizer a causa,  razão ou motivo da ação (verbos no supino.  Exemplo: Para interpretar).   Para formar os verbos no indicativo, no imperativo e no gerúndio basta uma palavra.  Nos outros modos é necessário ligar palavras que,  ligadas,  formam uma expressão ou locução verbal.    

Os verbos são usados também para indicar tempos.  Os tempos no idioma português são: o presente (significa o que acontece,  o que alguém faz ou sofre),  o pretérito perfeito (o que aconteceu,  o que alguém fez ou sofreu), o pretérito imperfeito (como as coisas eram no passado, o que alguém fazia ou sofria)  o pretérito mais-que-perfeito (como era um passado anterior a outro passado mais recente),  o futuro do presente (o que acontecerá, o que alguém fará ou sofrerá) e o futuro do pretérito (o que aconteceria,  alguém faria ou sofreria se o passado tivesse sido diferente).   

Também são usados os verbos para indicar se o que age ou sofre ação é um só (verbo no singular) ou muitos (verbos no plural).   Por exemplo:  interpreta,  interpretam.  Interpretei,  interpretamos.

Exercício proposto para os alunos:

Faça uma lista de verbos em todos os modos,  tempos e números.  Envie para bobhaeberlin@gmail.com

 

2º módulo:  A sintaxe e seus elementos:

Aula única: 

Nessa aula iremos estudar a sintaxe.  O que é a sintaxe?    

A sintaxe é a junção de palavras que,  juntas,  querem dizer alguma coisa.  Assim como a morfologia,  a sintaxe também tem seus elementos.  E esses são:

O sujeito,  que é a palavra que significa alguém ou algo que fez ou sofreu uma ação. Por exemplo,  São João escreveu o 4º evangelho da Bíblia (sujeito no ativo).  O quarto evangelho foi escrito por São João (sujeito no passivo).

O verbo que é palavra que expressa a ação feita ou sofrida.  Exemplo:  escreveu, que é verbo no modo indicativo e no tempo pretérito perfeito.  Pode ser transitivo,  quer dizer,  exigir um complemento,   exigir ser seguido de outras palavras para que a coisa dita faça sentido.  Ou pode ser intransitivo.  Exemplos:  “O galo é o marido da galinha”,  porque a frase “O galo é” não faz sentido.  “O passarinho voou” (verbo intransitivo).      

A preposição,  que é uma conjunção colocada dentro da sintaxe.  Exemplo:  Rodrigo enviou flores para sua namorada

O complemento ou adjunto adverbial que é o advérbio dentro da sintaxe:  Exemplo: Por São João.    

O objeto que é o resultado da ação e que pode ser direto sem preposição (por exemplo: Joana está fazendo o macarrão),  direto com preposição (amar a Deus é o primeiro dos mandamentos) e indireto (Marcos está tocando a guitarra para sua namorada).   

Indireto é o objeto que exige uma preposição que ligue o verbo ao objeto.  Direto sem preposição é o objeto que exige a ausência de preposição,  que não deve vir depois de preposição.  Não deve haver, se o objeto for direto,  preposição antes do objeto.  Direto com preposição é o objeto que, ainda que possa não vir depois de preposição,  é costume colocar depois de uma preposição.  Por exemplo:  Amar a Deus é o mais importante.   

Quando temos um sujeito,  um verbo e um objeto temos uma oração gramatical.  Duas ou mais orações gramaticais formam um período.  Duas ou mais orações podem estar ligadas por coordenação ou por subordinação.  A ligação é por coordenação quando o sentido da posterior não depende do sentido da anterior.  Exemplo:  Paulina era irmã de Terezinha,   Terezinha era irmã  de Celina.  E é por subordinação quando o sentido da posterior depende do sentido da anterior.  Exemplos:  Paulina era irmã de Terezinha,  e Terezinha era irmã de Celina.   Paulina era irmã de Terezinha,  que era irmã de Celina.

Exercícios proposto para os alunos:

 Escreva uma oração gramatical com o sujeito no ativo

 Escreva uma oração gramatical com o sujeito no passivo

 Escreva um período de duas orações gramaticais ligadas por coordenação

  Escreva um período com duas orações gramaticais ligadas por subordinação

Envie seus exercícios para bobhaeberlin@gmail.com

3º módulo:  A semântica

1ª aula:  Os elementos da semântica

                           Nessa aula iremos tratar da semântica e de seus elementos,  que são:  o significante,  o significado,  o sentido,  o referente,  e o modo de dizer. 

O objetivo do aprendizado da interpretação de textos é descobrir o sentido do que é dito.  Do que o autor está falando. 

 Cada palavra é um significante que tem um significado,  um sentido e um referente.

Referente é o ser a partir do qual surgiu a palavra para expressá-lo ou indicá-lo. 

O sentido pode ser denotativo ou conotativo.  É denotativo quando expressa a coisa de modo direto. É conotativo quando expressa de modo enigmático usando palavras que funcionam como figuras de linguagem.  Uma figura de linguagem é toda palavra na qual há um enigma que deve ser decifrado.   

Por exemplo, a palavra touro.   Se dizemos “O touro é um animal difícil de montar”,  o sentido é denotativo porque não há enigma aqui. A palavra touro,  nesse exemplo, significa o animal chamado touro.  Mas,  se dizemos “essa pessoa é forte como um touro”,  há um enigma na palavra touro que,  nessa frase,  é uma figura linguagem.  Na primeira frase o sentido é denotativo,  direto.  Na segunda é conotativo,  indireto,  enigmático.

Quanto ao significado é o mesmo que o sentido denotativo ou direto da palavra. 

Enfim,  existem as figuras de linguagem,  que estudaremos na próxima aula

2º aula:  As figuras de linguagem

Nessa aula vamos estudar as figuras de linguagem.

Uma figura de linguagem é uma palavra usada em lugar de outra ou de outras e que é enigmática,  expressa algo por meio de um enigma. 

Há figuras de linguagem que expressam qualidades por meio de comparações.  Por exemplo,  dizer,  “corajoso como leão”,  “lento como uma tartaruga”.   Essas figuras são chamadas de metáforas.

Outras figuras de linguagem substituem a obra pelo autor,   o efeito pela causa, o agente pela ação.  Por exemplo,  dizer “eu estou lendo Machado de Assis”,  ao invés de dizer “eu estou lendo um romance de Machado de Assis”.  Dizer “a biologia estuda os corpos vivos” ao invés de dizer “os biólogos estudam os corpos vivos”.   Essas figuras de linguagem são chamadas de metonímias.

Outras são substantivos que,  dentro do texto,  funcionam como adjetivos,  porque servem para expressar qualidade.  Por exemplo,  “ele joga bem,  mas não é nenhum Pelé”.  Quer dizer,  não é nenhum gênio do futebol. “Ele é um bom poeta,  mas não é nenhum Camões”.  Quer dizer,  não é nenhum gênio da poesia.  Essas figuras também são chamadas de metonímia.

Outras substituem uma parte pelo todo.  Por exemplo,  dizer “hoje o Brasil vai jogar contra a Argentina” ao invés de dizer “hoje a seleção brasileira de futebol vai jogar contra a seleção argentina de futebol”.   Essas figuras são chamadas de sinédoque.

Outras substituem um substantivo próprio por outro comum e servem para expressar excelência.  Por exemplo,  substituir Aristóteles por “o Filósofo”,  Salomão por “o Sábio”,  São Paulo por “o Apóstolo”.  Essas figuras são chamadas de antonomásia.

Outras dizem,  de propósito,  o contrário do que o autor quer dizer, sendo isso (o que o autor quer dizer) expresso pela lógica,  pelo ritmo e pela entonação.  Por exemplo,  dizer “Ele é milionário.   Não tem um tostão no bolso”.

Essas figuras são chamadas de ironia.

Outras tem a função de atenuar a expressão,  substituir uma palavra mais forte por outra mais leve.  Por exemplo,  dizer “o trânsito de Paulina ocorreu as 8 horas da manhã”,  ao invés de dizer “a morte de Paulina ocorreu as 8 horas da manhã”.

Essas figuras são chamadas de eufemismo.

 E outras,  ao contrário,  servem para exagerar,  e são colocadas com o intuito de chamar atenção.  Por exemplo,  dizer “Chorou rios de lágrimas”.

Essas figuras de linguagem são chamadas de hipérboles.

Pode haver outras figuras de linguagem,  mas essas são as que mais aparecem. Todas elas existem para expressar de modo indireto,  por meio de enigma e seu sentido é conotativo. Saber reconhecê-las é necessário para não cometer erros de interpretação ao ler.

 

4º módulo:  Os gêneros literários escritos

Aviso:  Para esse último módulo do curso usei como referência o estudo intitulado “Os gêneros literários:  fundamentos metafísicos” do filósofo e professor Olavo de Carvalho,  que era realmente um filósofo e professor de filosofia porque praticava a arte de transformar conhecimento em consciência e ensinou muitos a praticarem essa arte.  Além dessa obra,  usarei também as “Etimologias” de Santo de Sevilha e a “Poética” de Aristóteles.  Porque esse módulo é apenas sobre os gêneros literários escritos não estudaremos o teatro.  Mas,  para quem tem interesse de estudar esse gênero sugiro a leitura da Poética de Aristóteles e do texto mencionado de Olavo de Carvalho.    

1ª aula: O poema e a prosa. O narrativo e o expositivo  

No que diz respeito ao ritmo um texto pode ser em forma de poema ou em forma de prosa. É em forma de poema quando o verso é descontínuo.  Quando não há 2 versos na mesma linha.  Exemplo:

Minha terra tem palmeiras,

onde canta o sabiá

 É em forma de prosa quando tem muitos versos na mesma linha.  Exemplo:

Hoje a tarde vi,  em uma palmeira,  um sabiá pousado em um galho.

Tanto o ritmo de poema (poético) como o de prosa (prosaico) pode ser usado para escrever textos em forma narrativa e em forma expositiva   Isso significa que você pode encontrar para ler narrativas poéticas,  narrativas prosaicas,  exposições poéticas e exposições prosaicas

Exemplo de narrativas poéticas são épicos como a “Iliada” e a “Odisséia” de Homero, a “Eneida” de Virgílio,  os romances de Chrétien de Troyes, a “Divina Comédia” de Dante Alighieri,  a “Jerusalém Libertada” de Torquato Tasso e os “Os Lusíadas” de Luís de Camões.

Exemplos de narrativas prosaicas são contos,  novelas e romances como “O espelho”,  de Machado de Assis (conto),   “A metamorfose” de Franz Kafka (novela) e “Crime e Castigo” de Dostoievski (romance).

2 exemplos de exposição poética são o Prólogo do Evangelho de São João e alguns escritos de filósofos gregos pré-socráticos. 

Alguns exemplos de exposição em prosa são:  a Suma Teológica de Santo Tomás de Aquino, “Os elementos de geometria” de Euclides de Alexandria,  os “Ensaios” de Michel de Montaigne, as teses, dissertações e monografias universitárias.

 A partir da próxima aula começaremos o estudo do gênero narrativo.

 

 

 

2ª aula:  O gênero narrativo:  Suas possibilidades:  A História e suas Espécies

 O gênero narrativo tem 2 possibilidades,  a fábula e a história.

A História tem,  dentro de si,  duas espécies,  a Narrativa Histórica (História) Fática e a Narrativa Histórica (História) Simbólica.  A distinção entre uma e outra está na intenção e na linguagem.  A “História” que o historiador grego Heródoto escreveu é história de verdade e a narrativa da criação do Mundo e do ser humano no livro do “Gênesis”  também,  mas a intenção do primeiro autor foi narrar em linguagem direta, denotativa, sem enigmas,  e a do segundo foi narrar em linguagem indireta,  conotativa,  com enigmas. 

Exemplos de narrativa histórica fática:  “A História” de Heródoto, a “História da Guerra do Peloponeso” de Tucídides,  as “Histórias” de Políbio,  as “Vidas paralelas” de Plutarco,  o livros dos “Atos dos Apóstolos”,   a “História eclesiástica” (História da Igreja Católica),  de Eusébio de Cesaréia,  as “Confissões” de Santo Agostinho, as crônicas historiográficas escritas por monges medievais ,  as“Crônicas” de Fernão Lopes e a “História da Grécia” de George Grote.

Exemplos de narrativa histórica simbólica são:  O Livro do Gênesis,  a Ilíada,  a Odisséia, a Eneida,  os 4 Evangelhos da Bíblia, o Livro do Apocalipse,  Os Lusíadas,  as canções de gesta medievais,  algumas lendas (“Lenda de São Patrício” “Lenda do rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda,  etc) e alguns mitos (por exemplo, o mito do caos primordial da mitologia grega).    

3ª aula:  O gênero narrativo e suas possibilidades:  A fábula e suas espécies

Tal como a história também a fábula tem espécies.

São 4 as espécies de fábula:  a fábula conto,  a fábula novela, a fábula romance e a fábula épica

A fábula épica assim como todo outro texto narrativo tanto pode ser em prosa ou em forma de poema.  E é um texto que imita formas da narrativa histórica simbólica como o mito,  a lenda, a canção de gesta e o épico histórico.  Um exemplo de fábula épica em forma de poema é a “Divina Comédia” de Dante Alighieri.  Um exemplo de fábula épica em prosa é a obra “O senhor dos anéis” de J.R.R Tolkien.  Outro exemplo é a obra “O Tempo e o Vento”,  de Érico Veríssimo.  

A fábula romance ou simplesmente romance é uma narrativa longa que relaciona 2 ou mais personagens principais e suas vidas. 

Exemplos de romance são:  “Lancelot”,  de Chrétien de Troyes, “Tristão e Isolda” de Godofredo de Estrasburgo,  “Decameron” de Boccaccio,  o “Dom Quixote” de Cervantes,  “Os demônios” de Dostoievski”,  o “Guarani”,  de José de Alencar,  “Dom Casmurro” de Machado de Assis”,  “O triste fim do Policarpo Quaresma” de Lima Barreto.

A fábula novela ou simplesmente novela é uma narrativa que tem um único personagem principal.

Exemplos  de  novela:  “O processo” de Kafka e ““Alice no País das Maravilhas” de Lewis Carrol

Enfim,  a fábula conto ou simplesmente conto é uma narrativa pequena,  em comparação com uma novela ou um romance,  que tanto pode ter um único personagem principal como mais de um.  Essa espécie se divide em 3 tipos: a parábola,  o conto de fada e o conto ficcional.

A parábola é um pequeno conto que ensina por comparação. Exemplo disso são,  as fábulas de Esopo,  as fábulas de Fedro,  as fábulas de La Fontaine, a “’Alegoria da caverna” que está no diálogo “A República” de Platão,   e as parábolas de Jesus Cristo que foram inseridas nos 3 evangelhos sinóticos (os de Mateus,  Marcos e Lucas).   

O conto de fada é uma narrativa curta cujo tema principal é o do destino dos personagens.  Por isso é chamado de conto de fada.  Pois as fadas,  nesses contos,  representam destinos bons e maus. (A palavra fado é um sinônimo da palavra destino).

Exemplos de contos de fadas são:  Os contos populares compilados pelos Irmãos Grimm,  os contos de Charles Perrault,  os contos de Hans Christian Andersen,  as “Crônicas de Nárnia” de C.S Lewis.

E o conto ficcional é uma espécie de conto que tem duas possibilidades;  uma que chamamos hoje simplesmente de conto e que é ou uma mini-novela escrita ou um mini-romance escrito no qual os destinos possíveis não são representados por personagens,  mas são colocados em palavras pelo autor ou devem ser imaginados pelo leitor.  E a outra que é o que chamamos hoje em dia de crônica e que narra apenas um momento de uma vida não real,  mas possível.    A palavra crônica nesse sentido e a palavra crônica no sentido mais antigo de narrativa historiográfica são duas palavras homônimas. 

Exemplos de contos ficcionais são:  Os contos de Edgar Allan Poe, os contos de Pushkin,  os contos de Gogol,  os contos de Machado de Assis,  os contos de Clarice Lispector,  e as crônicas de Nelson Rodrigues.    

E isso basta sobre os gêneros narrativos. 

4ª aula:  O gênero expositivo e suas possibilidades.

São 11 as possibilidades do gênero ou modo expositivo:

1.       A poesia, também chamada de poesia lírica,  que expõe,  em forma de poema,  percepções,  sentimentos e desejos.  Por exemplo:  os sonetos de Shakespeare,  os sonetos de Camões,  os poemas de Olavo Bilac,  os poemas de Cecília Meireles,

2.       O diálogo,  que expõe um debate filosófico.  Por exemplo, os diálogos de Platão,  os diálogos de Santo Agostinho.    

3.       O dicionário, que expõe,  em ordem alfabética,  o significado de palavras usadas em idiomas.  Exemplo:  O Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa.

4.       A enciclopédia,  que é informativa e não segue uma hierarquia.   Exemplos:  As “Etimologias” de Santo Isidoro de Sevilha, a Enciclopédia Barsa,  a Enciclopédia Larousse,  a Enciclopédia Britânica.   

5.       O tratado,  que faz o mesmo que a enciclopédia,  mas faz de acordo com uma hierarquia (distinção de mais e menos importante).  Exemplos:  A “Poética” de Aristóteles, a obra “Da formação do orador” de Marcos Fábio Quintiliano,  as “Categorias” de Aristóteles,  os “Elementos de geometria” de Euclides de Alexandria,  o Tratado dos Números de Rábano Mauro,  o Almagesto de Cláudio Ptolomeu,  o Tratado de Harmonia de Jean Philippe Rameau,  as encíclicas dos papas da Igreja Católica.    

6.       A suma,  que é formada de 2 ou mais tratados.  Exemplos:  O Órganon de Aristóteles,  a  Suma Teológica e a Suma Contra os Gentios,  de Santo Tomás de Aquino.

7.       A tese,  que propõe uma solução para um problema.  Por exemplo,  as inúmeras teses de doutorado defendidas em universidades.  

8.       O ensaio,  que propõe problema e solução.  Por exemplo:  Os ensaios de Michel de Montaigne,  a obra “Raízes do Brasil”,  de Sérgio Buarque de Holanda.  Casa Grande e Senzala,  de Gilberto Freyre.   

9.       O texto epistolar, chamado carta ou epístola,  que expõe uma idéia, propõe um diálogo e uma atitude,  e que pode ser aberta (para todos ou para uma comunidade grande de pessoas) ou fechada (para apenas uma ou poucas pessoas).  Exemplos:  As Epístolas do Novo Testamento da Bíblia,  as Cartas e Exortações Apostólicas escritas pelos papas da Igreja Católica,  as cartas de Santa Catarina de Siena,  as cartas de Santa Terezinha do Menino Jesus.

10.   Os textos legislativos que são as constituições, emendas em constituições,  códigos legislativos, decretos,  atas e bulas.

11.   E a reportagem de jornal ou revista que expõe acontecimentos recentes. 

Fim. 

E assim encerramos esse curso de interpretação de texto.  Irei propor,  porém,  algumas leituras para treinamento e exercícios.  Você pode enviar (para o mesmo e-mail colocado antes suas interpretações e respostas de exercícios para correção.  E também dúvidas.  O preço do atendimento é de 30 reais por consulta. 

  Exercícios de interpretação de texto

Coloquei as leituras e exercícios propostos na seguinte ordem: 

 Poesia.   Texto proposto.  O poema “O motivo” de Cecília Meireles:

Exercício:  Escreva porque esse texto é uma poesia.  Diga quais as características de uma poesia que você encontrou nele.

 Parábola:  A Parábola do Bom Samaritano que está no Evangelho de Lucas,  no Novo Testamento da Bíblia (capítulo 10,  versículos 25 a 37).   

Exercício:  Escreva porque esse texto é uma parábola.  Diga quais as características de parábola que você encontrou nele. 

 Conto de fada:   O conto João e Maria

Exercício:  Escreva porque esse texto é um conto de fada. 

4º O conto ficcional crônica: Ao menos uma crônica de “A vida como ela é” de Nelson Rodrigues. 

Exercício:  Escreva porque a crônica escolhida por você é uma crônica (ficcional)

 O outro tipo de conto ficcional:  A Missa do Galo,  de Machado de Assis

Exercício:  Escreva porque esse texto é um conto ficcional e não é uma parábola,  nem um conto de fadas,  nem uma crônica. 

 Epistolar.  Leitura proposta.  Escolha uma carta ou um e-mail que você mesmo recebeu ou enviou.

Exercício:  Escreva porque esse texto é uma carta. 

 A novela:  A metamorfose,  de Franz Kafka

Exercício:  Escreva porque esse texto é uma novela.   

 O romance:   Iracema,  de José de Alencar

Exercício:  Escreva porque esse texto é um romance. 

 O épico em poema:   Leia até onde você puder de “Os Lusíadas”

Exercício:  Escreva porque o que você leu é épico em forma de poema. 

10º O épico em prosa:  O senhor dos anéis. 

Exercício:  Escreva porque o que você leu é épico em forma de prosa. 

11º A História Simbólica.  Leitura proposta:  Os 3 primeiros capítulos do Livro do Gênesis da Bíblia.

Exercício:  Escreva porque esses 3 capítulos são um exemplo de narrativa histórica simbólica.

12º  A História Fática Autobiográfica.  Leitura proposta:  As “Confissões” de Santo Agostinho”

13º  A  História Fática Biográfica.  Leitura proposta:  A biografia de Santa Catarina de Siena escrita por Sigrid Undset.  Há uma tradução para a língua portuguesa recente que foi publicada pela Editora Minha Biblioteca Católica.   Ou a “Vida de São Domingos” do Padre Lacordaire. (também há uma edição recente da Minha Biblioteca Católica). 

14º   A  História Fática.  Leitura proposta: O 1º e 2º  livro de crônicas do Antigo Testamento da Bíblia

Exercícios propostos para a 12ª,  a 13ª,  e a 14ª leituras: Escreva porque as leituras feitas são exemplos de narrativa histórica fática.  

15º  A reportagem.  Leitura proposta:  Escolha uma matéria de jornal e outra de revista.

Exercício:  Escreva porque as matérias lidas são reportagens e não história ou conto,  ou novela ou romance ou épico.   

16º   Ensaio.  Leitura proposta:  Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freyre. Ou “O jardim das aflições”,  de Olavo de Carvalho.

Exercício:  Escreva porque o livro lido é um ensaio.

17º   Tese.   Leitura proposta:   O texto “Poesia e filosofia” de Olavo de Carvalho.

Exercício:  Escreva porque a leitura feita é de uma tese   

18º   Tratado.  Leitura proposta:  A “Poética” de Aristóteles

Exercício:  Escreva porque a leitura feita é de um tratado  

19º   Suma.   Leitura proposta:  O Órganon de Aristóteles

Exercício:  Escreva porque a leitura feita é de uma suma.



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