Dissertação sobre a Ciência da Cruz e o Homem como animal naturalmente religioso

Introdução: 

O  ser humano é o único animal capaz de religião.   A religião é uma potencialidade do Homem como animal racional.  Alguns disseram que se outros animais tivessem religião seus deuses teriam sua forma assim como os deuses dos gregos e romanos eram antropomórficos.  Nenhum desses críticos da religião,  porém, se perguntou por que outros animais não têm religião.  Mas a resposta é simples:  Porque são animais irracionais.  A capacidade que lhe é natural de pensar que há um Todo infinito com entes ordenados dentro desse Todo e de distinguir (nesse Todo) formas de relação,  seja horizontal,  seja vertical,  torna a religião uma potencialidade para o Homem.  Mas o Homem recebe desse mesmo Todo,  desse Logos, essa capacidade.   Há naturalmente para o homem uma relação vertical entre o humano e o Divino.  A religiosidade é natural para o ser humano porque a racionalidade é. 

Como podemos demonstrá-lo?  Como podemos pôr essas afirmações à prova para ver se resistem à provação?

O primeiro passo é respondermos a pergunta:  Olhando para as sociedades humanas do passado,  tal como aparecem conciliando todas as fontes as quais possamos ter acesso,    sendo historiadores zelosos para com a crítica externa e interna das fontes como os adeptos da “Escola Positivista” do século XIX[1],  cultivando um saudável pluralismo com relação as fontes como os adeptos da Escola dos Annales em todas as suas gerações [2],  cultivando a amplitude de objeto dessa mesma Escola,  tendo o  respeito de um Padre Carlos Teschauer[1] pelo ofício do historiador como que por algo sagrado,  desejando, como um Heródoto,   que as ações heróicas não caiam no esquecimento[2],  e,  principalmente,  admitindo, com São Gregório de Tours, que a Providência Divina se faz presente no objeto da Ciência do Historiador[1],   tendo essas atitudes,  encontraremos resposta afirmativa ou negativa para a questão:  As gerações que nos precederam julgavam que alguma forma de culto religioso era necessário para manter a racionalidade,  e,  por conseqüência a ordem e a paz?

Para responder essa pergunta farei uso do método que Marc Bloch propôs no qual a história é estudada e exposta (ou narrada) partindo do mais recente e indo para o mais antigo. 

Capítulo 1:    O super-homem de Nietzsche e a grande ruptura niilista preparada pela “ditadura do relativismo”.   

A essência de toda religião autêntica é a renúncia da vontade própria e a obediência a vontade de um plano superior.  Para entrar realmente em uma e nela permanecer é preciso ser um aprendiz daquilo que Edith Stein chamou de “ciência da cruz”. Daí que é necessariamente não religioso o tipo humano ao qual Nietzsche deu o nome de “super-homem”.  Pois esse “super-homem” não quer aprender a “ciência da cruz”. É também necessariamente um niilista esse tipo ,que vemos aparecer na literatura de ficção,  em obras como “O idiota” e “Crime e Castigo”,  do escritor russo Fiódor Dostoievski, e em outras.   Dele,  do super-homem niilista, surgiu a situação ao qual o cardeal da Igreja Católica Joseph Ratzinger,  antes de seu pontificado como papa Bento XVI chamou de “ditadura do relativismo”.   Trata-se de uma ditadura da subjetividade individual que, como tal,  rejeita por princípio a renúncia da vontade própria,  rejeita a “ciência da cruz”,  que é “loucura para os que se perdem,  mas,  para os salvos,  poder de Deus e sabedoria de Deus” (1 Coríntios 1, 18).  É uma mentalidade necessariamente anti-religiosa e niilista. 


Capítulo 2:  Breve anotação sobre a religiosidade do positivismo e da Revolução Francesa

No entanto,  o super-homem niilista é uma exceção,  podemos dizer,  é uma anomalia na história humana.  Mesmo os positivistas do século 19,  ou os revolucionários de 1789,  não negaram  a necessidade da obediência a uma autoridade superior.   Não eram niilistas subjetivistas.  Para os positivistas essa autoridade era a Ciência,  para os revolucionários de 1789 era a deusa Razão.   Se afastaram da religião tradicional do Ocidente,  mas sua mentalidade não era anti-religiosa.  Teria esse afastamento levado a situação do niilismo posterior?  Não nos interessa por hora e por isso não vamos nos ocupar com essa questão.

Capítulo 3:   O racionalismo iluminista preparado pelo racionalismo renascentista

O racionalismo religioso ou religião racionalista dos iluministas que prepararam a Revolução de 1789 foi preparado por um racionalismo surgido cerca de 2 séculos antes nesse período de grande ruptura que foi o Renascimento.  A obra mais representativa desse racionalismo renascentista surgiu da pena de um representante da religião tradicional,  de um cônego da Igreja Católica,  o polonês Nicolaus Copernicus.  Trata-se de “Da revolução dos corpos celestes”,   na qual é proposta como solução para seríssimo problema da astrononia  a hipótese que a Terra e os outro planetas giram em órbitas circulares ao redor do Sol,  sendo esse situado no centro do Universo mesmo. 

Copérnico não era um devoto da deusa Razão.  Era um clérigo católico.  No entanto,  negar a experiência humana comum como Copérnico negou substituindo essa pelo que lhe parecia mais racional  foi o primeiro passo para o surgimento da religião racionalista dos revolucionários de 1789[1].    

Capítulo 4:   O destino de Lutero:  Breve anotação.   

Quanto a Lutero,  o seu destino não foi o de negar a necessidade da religião para a ordem e a paz.   O que fez foi substituir o poder e a autoridade da Igreja de Roma pelo poder e a autoridade dos governantes civis cristãos.   Porém, ao fazê-lo,  dividiu a Europa,  que já não era mais,  apesar dos inevitáveis cismas e heresias,  uma União Cristã,  uma Cristandade.      

Capítulo 5:   A cristandade e a teologia da Razão Divina Encarnada
Com Lutero terminou a era da Cristandade,  que havia começado quando Teodósio,  imperador romano,  fez da religião católica a religião oficial do Império,  em 395.  Pode-se mesmo propor,  como datas limites da “Idade Média”, ao invés do convencional 476-1453,  ou ao invés da periodização proposta por Le Goff que faz a Idade Média começar com a invenção do livro códex e terminar com a revolução industrial,  uma outra na qual a “Idade Média” começa e termina quando começa e  termina a cristandade,  sendo as datas limites 395,  o início do começo,  e 1517,  o início do fim. 

Para essa Cristandade,   existia ordem porque existe o Logos, a Razão Divina, a 2ª pessoa da Santíssima Trindade,  a qual é necessário obedecer para que o Homem saiba bem ordenar aquilo que lhe cabe ordenar.  A mentalidade do Homem medieval não era,  de modo algum,  irracionalista.   A escolástica de um Duns Scotus, de um Santo Tomás de Aquino, de um São Boaventura, de um Santo Alberto Magno,  não era,  não foi, naquele tempo,  uma exceção,  uma anomalia.  Foi uma expressão intelectual,  científica,  da mentalidade comum,  coletiva.  Todos os que participavam dessa União Européia que era o Ocidente Cristão Medieval,   do mais ignorante camponês até  mais erudito professor de universidade pensavam,  julgavam,  convicto estavam de que,  sem a obediência a uma autoridade situado em um plano superior,  não há ordem e,  portanto,  não há paz.

Capítulo 6:   Roma antes de Teodósio e Constantino

As tradições a respeito dos inúmeros adeptos da fé cristã vítimas da intolerância religiosa, tornados mártires do cristianismo por causa dessa intolerância,  são a prova suficiente que,  em Roma antes de Teodósio e do edito de tolerância de Constantino I, religião era uma questão de Estado[1].  Sempre fora:  No período imperial,  no período republicano e no tempo dos reis.      Também para os antigos romanos a ordem e a paz dependiam do culto religioso a autoridade situada em algum plano superior aos simples mortais. 

Capítulo 7:   Grécia e culturas do Oriente

Também era questão de Estado a religião nas cidades-estados da Grécia,  qualquer que fosse a forma e o regime de governo,  e nas culturas dos orientes próximo,  médio e extremo.  Em todas elas o pensamento sociológico era de que é necessário alguma forma de culto religioso para que seja mantida a ordem e,  consequentemente a paz,  que não existe sem a ordem.  


Conclusão

  Acreditar na possibilidade de ordem e de paz sem algum culto religioso é anomalia na história humana.  Já Durkheim (1858-1917) admitiu a verdade de que a religião existe para preservar a ordem social.  Depois dele,  Georges Dumezil (1898-1986) conseguiu encontrar em teóricos medievais como Adalberon de Laon e Abbon de Fleury uma teoria da sociedade tripartite segundo a qual em toda a sociedade deve haver uma ordem de pessoas especialmente dedicada ao culto religioso,  e a qual o bispo Adalberon deu o nome de “oratores” e o anônimo abade de Fleury de “clerici”.  Tripartição que encontramos também na República imaginada por Platão,  que dividiu sua república ideal socialmente em governantes-filósofos,  guerreiros e trabalhadores,  sendo aí os governantes-filósofos os responsáveis pela mediação entre o plano dos humanos e o plano dos deuses.   Enfim,  encontramos uma outra forma de afirmação da necessidade de uma ordem de pessoas especialmente dedicada a religião na teoria hindu das castas que divide a sociedade em brâmanes (clérigos),  xátrias (equivalente aos bellatores ou militares da divisão de Adalberon), vaishyas e shudras (equivalente aos laboratores da mesma divisão).    Essas são apenas partes da verdade. Uma outra parte é de que o homem é um animal naturalmente religioso,  porque é naturalmente racional.  Tende a obediência ao Logos,  a Racionalidade que distingue e ordena as coisas,  os entes.   Se fizermos a pergunta “por que,  antes do advento do tipo que julga ser o super-homem profetizado por Nietzsche os seres humanos acreditaram que a religião era necessária?” teremos mais verdades para serem somadas nessa somatória.   Se fizermos a pergunta,  “ por que existem religiões?”,  já temos uma primeira resposta para  colocarmos na somatória de respostas:  o ser humano é um animal naturalmente religioso porque é um animal naturalmente racional que,  como tal,  se entrega ao aprendizado da renúncia da vontade própria,  do renunciar a si mesmo,  assumir sua “cruz” e seguir o Verbo.  Da “ciência da cruz”, diria Santa Edith Stein. 

 

Fontes consultadas

Aviso:  Boa parte do que foi colocado nessa dissertação são memórias de leituras e de aulas do tempo em que fui aluno do Curso de História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul ente os anos de 2003 e 2008. A esse recurso a memória se deve as imprecisões dessa dissertação.  As fontes bibliográficas mencionadas e não mencionadas identificáveis que foram utilizadas para compô-la são as seguintes:


A Ciência da Cruz.  De Edith Stein 

A Escola dos Annales: A Revolução Francesa na Historiografia.  De Peter Burke

Combates pela História.  De Lucien Febvre

O problema da incredulidade no século XVI:  a religião de Rabelais.  Idem.

Apologia da História: O ofício do historiador.  De Marc Bloch

A sociedade feudal.  Idem.

Os reis taumaturgos.  Idem

O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico no tempo de Felipe II.  De Fernand Braudel

História e matemática.  Idem. 

 A civilização do Ocidente Medieval,    de Jacques Le Goff

O imaginário medieval,  idem

Os intelectuais na Idade Média,  idem

Mercadores e banqueiros da Idade Média,  idem

Nota sobre a sociedade tripartida,  ideologia monárquica e renovação econômica na Cristandade,  do século IX ao século XI.  Artigo publicado em “Para um novo conceito de Idade Média:  Tempo,  trabalho e cultura no Ocidente”. Idem.  

A construção do Ocidente Cristão.  De Georges Duby

O tempo das catedrais: a arte e a sociedade.  Idem

A sociedade cavaleiresca:  Idem

Guilherme,  o Marechal: O melhor cavaleiro do mundo. Idem

Luz sobre  a Idade Média.  De Régine Pernoud

A mulher no tempo das catedrais.  Idem

Vida e morte de Joana d’Arc.  Idem

O queijo e os vermes.  De Carlo Ginzburg

História do Rio Grande do Sul dos 2 primeiros séculos.  Obra em 3 volumes.  De Pe Carlos Teschauer.

História.  De Heródoto.  O texto grego pode ser consultado em  https://www.hs-augsburg.de/~harsch/graeca/Chronologia/S_ante05/Herodot/her_his0.html

História dos francos.  De Gregório de Tours.  O texto em latim pode ser consultado em https://www.hs-augsburg.de/~harsch/Chronologia/Lspost06/Gregorius/gre_hi00.html

As religiões do mundo.  Curso proferido pelo professor Luiz Gonzaga de Carvalho Neto no ano de 2010. 

Assim falou Zaratrusta.  De Friedrich Nietzsche  

Homilia Pro Eligendo Romano Pontifice proferida pelo cardeal Joseph Ratzinger na abertura do Conclave de 2005

Da revolução dos corpos celestes.   De Nicolau Copérnico.  O texto em latim pode ser consultado em https://www.hs-augsburg.de/~harsch/Chronologia/Lspost16/Copernicus/kop_r00.html

Crime e Castigo.  De Fiódor Dostoievski

O idiota.  Idem

Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental.  De  Thomas Woods Jr.

História da literatura ocidental:  Volume 1:  Renascença Cristã:  A Reforma.  De Otto Maria Carpeaux

História da Grécia.  Obra em 12 volumes.  De George Grote

História de Roma.  Obra em 5 volumes.    De Theodor Mommsen

História da civilização.  1ª e 2ª parte.  De Will Durant. 

 

 

 





[1]

 




[1]  E também para o surgimento de uma classe de profissionais da Ciência que não quer partir do conhecimento comum,  mas quer mudar o conhecimento comum.  Parece até que querem imitar os padres da Igreja Católica, quando esses ensinam aos catecúmenos que,  o que lhes parece ser apenas pão e vinho, são,  na verdade, o Sacratíssimo Corpo e o Sacratíssimo Sangue do Filho de Deus,  Nosso Salvador.  É o que parece quando nos dizem “parece que o Sol e os outros  planetas giram em torno da Terra, mas na verdade,  o que acontece é o contrário”.   



[1] São Gregório de Tours (538-594) foi um bispo católico que escreveu uma “História dos francos”,  um dos povos germânicos que ocuparam partes do território do Império Romano do Ocidente no período de transição da Antiguidade para a Idade Média e de formação da Europa Cultural.  Ele acreditava ( a informação foi tirada da monumental História da Literatura Ocidental de Otto Maria Carpeaux) que a tarefa do historiador é provar a presença da Providência de Deus na História Humana.   



[1]   O Padre Carlos Teschauer (1851-1930) foi um religioso jesuíta e historiador alemão residente no Brasil que escreveu uma história do Rio Grande do Sul em 3 volumes,  nos quais trata desde a fundação das reduções jesuíticas até o surgimento,  como conseqüência do fim dessas reduções,  do gaúcho como tipo humano sul-riograndense.   No início do primeiro volume de sua obra o próprio Padre Teschauer usa a expressão “o Santuário da História” para se referir ao objeto de estudo do historiador.   

[2]  O historiador grego Heródoto (485-425 a.C.) escreveu no início de sua obra a respeito das guerras entre gregos e persas o seguinte “Heródoto de Halicarnasso ao escrever essa História teve por intenção fazer com que as grandes ações empreendidas por gregos e por bárbaros não caíssem no esquecimento.” O texto grego (que pode ser lido no site da Bibliotheca Augustana) diz:   “ροδότου Ἁλικαρνησσέος ἱστορίης ἀπόδεξις ἥδε, ὡς μήτε τὰ γενόμενα ἐξ ἀνθρώπων τῶι χρόνωι ἐξίτηλα γένηται, μήτε ἔργα μεγάλα τε καὶ θωμαστά, τὰ μὲν Ἕλλησι τὰ δὲ βαρβάροισι ἀποδεχθέντα, ἀκλεᾶ γένηται, τά τε ἄλλα καὶ δι᾽ ἣν αἰτίην ἐπολέμησαν ἀλλήλοισι.”  (“Herodotou Alikarnêsseos istoriês apodecsis êde, ôs mête ta gnomena ecs anthrôpôn tôi chronôi ecsitêla genêtai,  mête erga megala te kai thômasta,  ta men ellêsi ta de barbaroisi apodechthenta,  aklea genetai,  ta de alla kai di ên aitiên epolemêsan allêloisi”). 

 








[1]   Representada por historiadores como os franceses Ernest Lavisse (1842-1922),  Charles Seignobos (1854-1942),  Charles Langlois (1863-1929)  e Fustel de Coulanges (18830-1889) a Escola Positivista de historiografia defende que ao historiador basta saber interpretar os documentos,  saber verificar se são autênticos e verídicos,  colocá-los em ordem cronológica e narrar.   Essa Escola surgida no século XIX tem por objetivo a narrativa exata de eventos de política nacional e internacional usando documentos governamentais. 

[2]   A Escola dos Annales é o nome dado a forma de historiografia proposta pelos dois fundadores da Revista dos Annales,  os historiadores franceses Marc Bloch (1886-1944) e Lucien Febvre (1878-1956).  Eles romperam com a Escola Positivista e propuseram uma historiografia que estude mentalidades coletivas,  sociedades,  civilizações.  Assim,  duas das mais importantes obra de Bloch,   que era um medievalista,  têm por títulos “A sociedade feudal” e “Os reis taumaturgos:  estudo sobre o caráter sobrenatural atribuído ao poder taumatúrgico atribuído aos reis particularmente na Inglaterra e na França”  e duas das mais importantes obras de Febvre tem por título “Europa:  Gênese de uma Civilização” e “O problema da incredulidade no século XVI:  a religião de Rabelais”.   Porque os documentos governamentais não são suficientes para o conhecimento de mentalidades coletivas,  sociedades e civilizações,  propuseram também uma plurificação das fontes,  daquilo que pode ser considerado fonte pelo historiador,  além de terem rejeitado o método positivista da Escola Positivista também chamada Metódica e proposto o uso de teorias da antropologia,  da geografia,  da psicologia,  da lingüística e da sociologia para a resolução de problemas da Ciência Histórica.   

 

Numa geração seguinte, o historiador também francês Fernand Braudel (1902-1985), autor de “O Mediterrâneo e o Mundo Mediterrânico na época de Felipe II”,  propôs,  em um artigo publicado na Revista dos Annales, a aplicação da matemática na resolução de problemas da história da economia.  Pode parecer obviamente necessária essa aplicação,  mas acontece que Braudel,  Febvre e Bloch não estavam interessados em narrar mas em resolver problemas que encontravam,  como,  por exemplo,  quais os fatores que geram mudança na situação econômica de uma região,   quais as condições mentais para a existência de ateísmo,  e se a Ciência Histórica serve de método para análise e explicação de uma estrutura social com suas conexões.  

 

Depois,  numa terceira geração,  a Escola dos Annales foi rebatizada com o nome de Nova História Cultural Francesa,  e aí aparecem nomes como Jacques Le Goff (1924-2014),  autor,  dentre muitas outras obras, de “A civilização do ocidente medieval”,   “O imaginário medieval”,  “Os intelectuais na Idade Média” e “Mercadores e banqueiros na Idade Média” e Georges Duby (1919-1996) autor de “A construção do Ocidente Cristão”,  “O tempo das catedrais:  a arte e a sociedade”,  “A sociedade cavaleiresca” e “Guilherme, o Marechal:  o melhor cavaleiro do mundo” e muitas outras obras.

 

 Na quarta  geração,  representada por nomes como Roger Chartier (nascido em 1945) e Jérôme Baschet (nascido em 1960),    o interesse se desloca da história total ou global que Bloch e outros quiseram escrever em obras como “’A sociedade feudal” para um diálogo com a Micro-História,  cujo mais conhecido representante é o historiador ítalo-alemão Carlo Ginzburg (1939-17 de junho de 2026),  autor de “O queijo e os vermes” e  que rejeita o interesse no estudo dos períodos de longa duração e propõe o estudo de casos.  

 

Enfim, relacionada com a Escola dos Annales pelo interesse igual na História Cultural está a obra da grande historiadora francesa Régine Pernoud (1909-1998),  autora de obras como “Luz sobre a Idade Média”,  “A mulher no tempo das catedrais” e “Vida e morte de Joana d’Arc”:  as testemunhas do processo de absolvição”.      

 

 

     

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