Série Aprendendo com livros (porque ler não é perda de tempo):

Primeira leitura "Combates pela História" de Lucien Febvre 

Resumo crítico:  

No livro "Combates pela História" o historiador francês Lucien Febvre (1878-1956) afirma,  com razão,  que a Ciência chamada História não trata do abstrato e sim do concreto. Porém comete uma inversão ao considerar os indivíduos,  os entes singulares como abstrações.  Isso não está de acordo com a verdade.  Pois Santo Tomás de Aquino mostrou de modo mais que suficiente que a inteligência humana não percebe universais e abstrai singulares,  mas faz exatamente o inverso.  

Dessa inversão vem a proposta de usar métodos de outras ciências como a antropologia, a sociologia e a linguística (que não tratam de singulares,  mas de universais) para explicar comportamentos humanos.  

Além disso,  Febvre e outros historiadores da chamada Escola dos Annales aprenderam a desconfiar das fontes de época (chamam-se fontes primárias na linguagem do ofício),  por terem se deparado com contradições.  Rejeitaram a teoria da Escola Positivista Francesa segundo a qual, para saber o que aconteceu,  basta saber fazer a crítica interna e a crítica externa dessas fontes. 

O problema está em seguir a proposta de Leopold von Ranke, importantíssimo historiador alemão segundo o qual o historiador deve dizer o que aconteceu.  Pois a História,  mesmo quando trata do que é muito longínquo no tempo,  é sempre um método para entender o tempo presente e prever (por comparação com outras épocas) para onde o Mundo está caminhando.  Ora,  para isso não é necessário sempre saber o que aconteceu,  mas apenas entender como narrativas geram mentalidades e essas comportamentos.  Penso,  por exemplo,  no que os muçulmanos que se tornam jihadistas cheios de ódio pelo Ocidente aprendem sobre as Cruzadas.  

Ao invés da historiografia que inverte e trata o concreto como abstrato,  proponho uma historiografia que trate de ações, paixões e reações de entes singulares.  Anônimos e não anônimos.  No qual aquilo que Fernand Braudel (outro grande expoente da Escola dos Annales) chamou de estrutura geográfica e de conjuntura econômica também são vistos como fatos.  Pois são realmente coisas feitas.  

Além disso a Historiografia que proponho não busca as generalizações.  As questiona.  Na qual das fontes secundárias e terciárias se extraem teses que articuladas formam teorias e cujos fundamentos ou hipóteses são encontrados na pesquisa das fontes de época usando para isso os instrumentos da crítica interna e da crítica externa.  Não com a obrigação de saber o que realmente aconteceu,  mas para entender como narrativas geram mentalidades e essas comportamentos. 

Não é totalmente nova a proposta.   Algo semelhante a isso propuseram os historiadores da Nova História Cultural Francesa surgida na década de 70 do século passado.  A diferença está na proposta de uma historiografia que não depende de teorias de ciências dos universais humanos,  na qual os únicos problemas são os da relação causa e consequência entre narrativa,  mentalidade e comportamento, da generalização,  da interpretação das fontes e da datação.  E que,  sendo assim,  pode consistir num compilado ordenado de fontes históricas.  

Link para fazer o download do livro "Combates pela História" e lê-lo:  https://pdfcoffee.com/combates-pela-historia-lucien-febvre-pdf-free.html 




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog