Curso Aprendendo com Livros (porque ler não é perda de tempo): 6a aula
Aviso aos alunos do curso: Estou tendo dificuldade para colocar o aúdio dessa aula no Youtube. Enquanto esse problema não for resolvido, os alunos interessados podem solicitar o aúdio dessa aula via whatsapp.
Leitura para essa obra: "A metamorfose", de Franz Kafka
A metamorfose, de Franz Kafka. Obra
magistral na qual um tema seríssimo é escondido numa estória aparentemente
absurda. É uma novela. O personagem principal é um
caixeiro-viajante que só se preocupa com questões de trabalho e sustento da
casa e das pessoas da família e que, ele mesmo confessa, não gosta
de música, quer dizer, despreza a vida do espírito. Termina se
vendo de um jeito que o autor assim representa em sua técnica simbolista e em
seu estilo de realismo fantástico:
“Numa manhã, ao despertar de sonhos
inquietantes, Gregor Samsa deu por si na cama transformado num asqueroso
inseto”
Muita coisa já foi dita sobre essa obra.
Acredito que pode ser interpretada à luz da doutrina cristã do pecado
mortal. Estar transformado em tal inseto é a fealdade do pecado
mortal. Uma alma em pecado mortal, inimiga de Deus, é até
mais repugnante. Ou a luz da doutrina budista da transmigração.
Transmigração é diferente de metempsicose. Esse conceito (o de metempsicose)
existe no hinduísmo e no espiritismo mas não no budismo. Na doutrina da
transmigração não é a alma, a forma substancial, que passa de um
corpo para outro, mas padrões que constituem um psiquismo. Existe
ainda a transmigração da mente ou intelecto desse mundo para outro após a
morte e há também há a transmigração da visão de si pela qual se
transmigra do mundo dos humanos para baixo (para o mundo das bestas, dos
fantasmas famintos, dos asuras e dos demônios, quer dizer,
para os infernos) ou para cima (para o mundo dos devas, dos
brahmas, dos bodisatvas e dos budas ou tathagatas, quer dizer, para
os paraísos). Interpretando essa novela de Kafka a luz da doutrina da
transmigração vemos que o que acontece com Gregor é a transmigração da visão de
si do mundo dos humanos para o mundo das bestas, da mais abjeta de todas
as bestas, porém na técnica simbolista que Kafka usou isso é expresso na
forma de uma transformação real, de uma metamorfose, conforme o
título da obra.
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