Curso Aprendendo com livros:  9a aula:  Contos de Machado de Assis

Nessa aula irei comentar alguns contos de Machado de Assis cuja leitura proponho. Alguns são muito conhecidos,  mas num Brasil em que se lê muito pouco a chance de haver quem nunca os tenha lido é grande.  Então não é inútil comentá-los.  “O alienista”,  no qual o personagem principal é o psiquiatra maluco Simão Bacamarte e na qual encontramos a frase “Alguns chegaram ao ponto de conjeturar que nunca houve outro louco, além dele, em Itaguaí;”  é genial,  magistral,  divertidíssimo e profético.  “Teoria do medalhão” nos alerta da necessidade da solidão para a sinceridade.  No conto “Na Arca” temos uma sátira mitológica.  Em “O espelho: esboço de uma nova teoria da alma humana” temos uma matéria seríssima: trata de quando desaparece a pessoa e fica apenas a função social.  Olavo de Carvalho falava dessas pessoas que quando abrem a boca só o fazem como representantes de uma profissão,  nunca como almas humanas.  “Uma visita de Alcebíades” é outra divertidíssima sátira culminando com essas palavras do antigo aristocrata grego redivivo:  

 “Por Afrodite! exclamou ele. És a coisa mais singular que jamais vi na vida e na morte. Estás todo cor da noite — uma noite com três estrelas apenas — continuou apontando para os botões do peito. O mundo deve andar imensamente melancólico, se escolheu para uso uma cor tão morta e tão triste. Nós éramos mais alegres; vivíamos…”

 Continuando a “A igreja do diabo” mostra que “não só de pão vive o Homem,  mas de toda palavra que sai da boca de Deus”.  “A cartomante” nos faz lembrar a conhecida frase de Chesterton: “quem não acredita em Deus,  acredita em qualquer coisa”.  Já em “A Missa do Galo” Machado se revela um mestre do mistério e do suspense.  Um Alfred Hitchcok da literatura brasileira.  “Adão e Eva” é uma genial e divertida “zoeira” com os maniqueístas e com maniqueísmo.  

 Enfim,  “Um homem célebre” a estória do sujeito que compunha polcas que eram o grande sucesso da temporada,  mas queria ser compositor de música clássica,  é um  divertido conto que nos faz lembrar da “medida da graça”.  E da adequação da graça à natureza (“a graça não destrói a natureza,  mas a aperfeiçoa” dizia Santo Tomás de Aquino). 

Link para ler os contos de Machado:  https://www.bonfinopolis.mg.gov.br/wp-content/uploads/2021/03/TODOS-OS-CONTOS.pdf

 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog